Tudo sobre vacinação animal

Se tem uma coisa que a gente aprende rápido quando adota um pet é que amor também se demonstra com responsabilidade. E, quando o assunto é vacinação animal, estamos falando proteger — de doenças graves, de sofrimentos evitáveis e até de situações que poderiam ser um susto para toda a família.

Muita gente vê a vacina como uma obrigação ou uma “picadinha incômoda”, mas ela vai muito além disso. A carteirinha em dia previne que seu cão ou gato entre em contato com doenças que podem ser difíceis (e caras) de tratar. Muitas delas, inclusive, são transmissíveis entre animais e humanos. 

Neste guia, vamos te ajudar a entender quais vacinas o cachorro deve tomar, o momento certo de começar a vacina do filhote e a tabela de vacinas para cachorro completa, e claro, quais vacinas o gato deve tomar. Se você quer cuidar bem, e com consciência, do seu melhor amigo, continue a leitura! 

Vacinação: confira a tabela de vacinas para cachorro

Se você acabou de adotar um filhote ou tem um cão adulto em casa, é natural se perguntar: quais vacinas o cachorro deve tomar? Isso porque, manter a saúde do pet em dia passa, obrigatoriamente, por um protocolo vacinal bem estruturado. 

A boa notícia é que há uma tabela de vacinas para cachorro que organiza tudo — do primeiro mês de vida aos reforços anuais — de forma prática e fácil de acompanhar. Veja: 

Vacina1ª dose2ª dose3ª doseDose de reforço (todos os anos)
V8 ou V10A partir de 6 semanas4 semanas após a 1ª dose4 semanas após a 2ª dose1 ano após a última dose
Gripe caninaA partir de 8 semanas2 a 4 semanas após a 1ª dose1 ano após a última dose
GiárdiaA partir de 8 semanas2 a 4 semanas após a 1ª dose1 ano após a última dose
AntirrábicaA partir de 12 semanas1 ano após a última dose
LeishmanioseA partir de 4 meses21 dias após a 1ª dose21 dias após a 2ª dose1 ano após a última dose

Essa tabela inclui as vacinas obrigatórias, além das vacinas recomendadas conforme o estilo de vida do pet, como as de gripe e giardíase. Com ela, fica mais simples visualizar quais são as 3 primeiras vacinas para cachorro e entender como protegê-lo logo nos primeiros meses de vida. Vamos detalhar agora cada uma delas!

Vacinas múltiplas V8 e V10

As vacinas múltiplas são as primeiras da lista quando o assunto é vacinação de cachorro filhote. Elas são fundamentais porque protegem contra doenças altamente contagiosas e, em muitos casos, fatais.

A V8 imuniza contra:

  • Cinomose;
  • Hepatite infecciosa canina;
  • Adenovirose;
  • Parainfluenza;
  • Coronavirose;
  • Parvovirose;
  • Leptospirose (2 tipos).

A V10 oferece a mesma proteção da V8, com a adição de mais 2 sorovares da leptospira, ampliando a proteção contra essa zoonose, principalmente em regiões com maior risco ambiental (áreas alagadas, urbanas ou rurais com presença de roedores, por exemplo).

A aplicação é recomendada a partir de 6 a 8 semanas de vida, com 3 doses aplicadas em intervalos de 3 a 4 semanas. Depois, o reforço é anual. É importante destacar que o pet só está protegido após a última dose!

Vacina antirrábica

A raiva é uma doença fatal que pode afetar cães, outros animais e seres humanos. Mesmo com a incidência reduzida, a vacina antirrábica continua sendo obrigatória no Brasil.

A primeira dose é dada aos 4 meses (ou 12 semanas) de idade. Depois disso, o reforço é feito uma vez por ano, durante toda a vida do cão.

Vacina da gripe canina

Também chamada de tosse dos canis, a gripe canina é uma infecção respiratória causada por vírus e bactérias, como a Bordetella bronchiseptica. Não costuma ser fatal, mas pode evoluir para quadros mais graves, como a pneumonia.

A vacina deve ser dada a partir de 8 semanas de vida, com 2 doses (intervalo de 2 a 4 semanas), e reforço anual. Em alguns casos, a vacina pode ser aplicada de forma injetável, oral ou intranasal.

Vacina de giardíase

A giardíase é causada por um protozoário e atinge o sistema digestivo, provocando vômitos, diarreia e desidratação. Além disso, é uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida para humanos, especialmente crianças.

A aplicação é feita a partir de 8 semanas, com duas doses iniciais entre 2 a 4 semanas de intervalo. Assim como outras vacinas, o reforço é anual.

Tabela de vacinas para gatos: conheça as vacinas mais importantes

Assim como os cães, os gatos também precisam de um calendário vacinal estruturado, mesmo aqueles que vivem exclusivamente dentro de casa. Isso porque algumas doenças são altamente contagiosas e podem ser transmitidas pelo ar, por objetos contaminados ou até por você, ao entrar em casa com o vírus em roupas e calçados.

A vacinação para gatos é simples e muito eficiente. Ela começa com as chamadas vacinas polivalentes e se complementa com a antirrábica. A versão da vacina polivalente escolhida vai depender do estilo de vida do seu gatinho e da avaliação do veterinário.

Abaixo, você encontra uma tabela de vacinas para gatos, com as principais aplicações e intervalos recomendados:

Vacina1ª dose2ª dose3ª doseDose de reforço (todos os anos)
V3 / V4 / V5Entre 6 e 8 semanas4 semanas após a 1ª dose4 semanas após a 2ª dose1 ano após a última dose
AntirrábicaA partir de 12 semanas1 ano após a última dose

Agora vamos entender melhor o que cada uma dessas vacinas polivalentes representa para a saúde do seu gato.

Vacinas polivalentes (V3, V4 e V5)

As vacinas polivalentes são fundamentais para a prevenção de diversas doenças infecciosas graves em gatos. Todas elas começam a ser aplicadas a partir das 6 a 8 semanas de vida, com doses de reforço até os 4 meses de idade.

V3 (Tríplice felina)

A vacina V3 protege contra três doenças importantes:

  • Panleucopenia felina
  • Rinotraqueíte felina
  • Calicivirose felina

É a versão básica da polivalente, indicada para gatos que vivem exclusivamente em ambientes internos com baixo risco de exposição.

V4 (Quádrupla felina)

Inclui as três proteções da V3 e acrescenta a prevenção contra a Clamidiose felina, doença que afeta principalmente os olhos e o trato respiratório, bastante comum em locais com muitos gatos.

V5 (Quíntupla felina)

É a vacina mais completa da categoria. Protege contra tudo que a V4 cobre, e mais a Leucemia viral felina (FeLV). Essa versão é recomendada para gatinhos que têm acesso à rua, convivem com outros gatos ou vivem em regiões com alta incidência de FeLV.

Vacina antirrábica

Embora a raiva seja mais comum em cães, os gatos também podem ser infectados, principalmente se tiverem acesso à rua ou contato com morcegos. A vacina antirrábica é obrigatória no Brasil e protege não só o pet, mas também os humanos.

A aplicação deve ser realizada a partir dos 4 meses de idade (ou logo após finalizar o protocolo da vacina polivalente), com reforço anual, durante toda a vida do gatinho.

Vacinação animal: quando os filhotes de cachorro e gato precisam ser vacinados?

Os primeiros meses de vida dos nossos bichinhos são essenciais para o desenvolvimento da imunidade, e é nesse momento que a vacinação precisa entrar em cena. 

Os filhotes são naturalmente mais vulneráveis a infecções, já que os anticorpos que recebem da mãe desaparecem gradualmente após o desmame. Por isso, o ideal é começar a vacinação cedo, com o acompanhamento de um médico-veterinário.

Para facilitar, aqui está um resumo prático e direto de quando iniciar a vacinação de cães e gatos:

Filhote de cachorro: quando vacinar?

  • A partir de 6 semanas: iniciar com a vacina múltipla (V8 ou V10).
  • Com 8 semanas: iniciar a vacina contra gripe canina e giárdia.
  • Com 12 semanas (3 meses): aplicar a vacina antirrábica.
  • Aos 4 meses (se indicado pelo veterinário): iniciar protocolo contra leishmaniose.

Os reforços das vacinas múltiplas, gripe e giárdia são aplicados em intervalos de 2 a 4 semanas até os 4 meses de idade.

Filhote de gato: quando vacinar?

  • Entre 6 e 8 semanas: iniciar com a vacina polivalente (V3, V4 ou V5).
  • Com 10 a 12 semanas: aplicar a 2ª dose da polivalente.
  • Com 14 a 16 semanas: 3ª dose da polivalente + vacina antirrábica.

Assim como os cães, os gatos também precisam de reforços anuais para manter a proteção ao longo da vida. 

Resumindo? Quanto mais cedo começar o esquema de vacinação, com segurança e orientação, mais protegido seu filhote estará para crescer saudável e feliz.

Recomendações para vacinar seu bichinho

Antes de aplicar qualquer vacina, é preciso se certificar de que o seu pet esteja saudável e em boas condições para responder ao imunizante. A vacinação é segura, sim, mas só deve ser feita com a supervisão de um médico-veterinário, que vai avaliar se o organismo do animal está pronto para receber a dose com segurança e eficácia.

Alguns cuidados simples ajudam a evitar reações e garantem que o pet esteja realmente protegido. Saiba o que observar antes de vacinar: 

  • Idade mínima: só vacine seu pet a partir da idade recomendada para cada tipo de vacina;
  • Saúde em dia: o animal precisa estar clinicamente saudável, sem sinais de doença, feridas ou infecções ativas;
  • Sem febre: vacinas não devem ser aplicadas em animais febris ou com apatia;
  • Vermifugação atualizada: filhotes devem estar vermifugados ao menos 7 dias antes da vacinação para evitar interferência na resposta imunológica;
  • Ambiente calmo no dia da vacina: evite estresse excessivo antes e depois da aplicação;
  • Informe o veterinário sobre qualquer medicação ou tratamento em andamento.

Mesmo que pareça tudo bem, nunca aplique vacinas por conta própria ou fora de ambientes supervisionados. Existem vacinas que só devem ser manipuladas por profissionais e que exigem refrigeração e controle de validade rigoroso.

O que esperar após a vacinação?

Depois da vacina, é comum que seu pet tenha algumas reações leves. O corpo dele está trabalhando e  criando defesas contra doenças que podem ser graves no futuro. A resposta imunológica pode gerar alguns efeitos colaterais temporários, sobretudo no primeiro ou segundo dia após a aplicação.

O mais comum é o pet ficar um pouco abatido, com sono excessivo ou perda de apetite leve. Também pode haver febre baixa ou dor no local da aplicação, com uma leve sensibilidade ao toque. Esses sintomas, na maioria das vezes, desaparecem sozinhos em até 48 horas.

Mas fique atento: se qualquer sintoma persistir por mais de dois dias, ou se o seu bichinho apresentar sinais como vômitos, tremores, inchaço exagerado ou dificuldade para respirar, procure imediatamente o médico-veterinário. As reações adversas graves são raras, mas merecem atenção imediata.

Agora que você já sabe o que esperar depois da vacina, que tal continuar aprendendo sobre os cuidados com filhotes? Acesse outros conteúdos que preparamos para você:

Perguntas frequentes sobre vacinação animal

A vacinação envolve cuidados, prazos e decisões que nem sempre são intuitivas, principalmente para quem está com um filhote em casa ou acabou de adotar um animal adulto. Por isso, separamos aqui as respostas para algumas das perguntas mais comuns sobre o tema.

De quanto em quanto tempo devo vacinar meu cão/gato?

Depois que o seu pet completa o protocolo de vacinação inicial (geralmente até os 4 meses de idade), todas as vacinas essenciais devem ser reforçadas uma vez por ano. Isso vale tanto para cães quanto para gatos.

  • Cães: V8 ou V10, antirrábica, gripe canina e giárdia são vacinas com reforço anual;
  • Gatos: V3, V4 ou V5 e antirrábica também exigem reforço anual.

Mesmo que o animal pareça saudável, o reforço anual é indispensável para manter o nível de anticorpos protetores no organismo. Algumas vacinas podem até oferecer proteção por mais de um ano (segundo protocolos internacionais), mas no Brasil, a orientação padrão e a exigência legal em muitos casos é vacinar anualmente.

Posso atrasar a vacina do meu cachorro?

O mais adequado é que as vacinas sejam aplicadas exatamente no intervalo recomendado. No entanto, se por algum motivo o reforço anual foi esquecido ou não pôde ser feito no prazo, não se desespere.

Se o atraso for pequeno (alguns dias ou poucas semanas), o veterinário pode aplicar o reforço normalmente. Mas, se o intervalo ultrapassar alguns meses, é possível que seja necessário reiniciar o protocolo com mais de uma dose, especialmente no caso das vacinas múltiplas.

Em qualquer caso de atraso, leve seu pet ao veterinário para que ele avalie o melhor caminho. Vacinar fora do prazo compromete a eficácia da proteção e pode deixar seu bichinho vulnerável.

Quais reações à vacina são mais preocupantes?

Embora a maioria das reações seja leve e passageira, alguns sinais exigem atenção imediata. Eles podem indicar uma resposta alérgica mais intensa ou uma reação adversa, que precisa ser controlada rapidamente por um profissional.

Fique atento se seu pet apresentar, após a vacina:

  • Coceira generalizada;
  • Inchaço no rosto, orelhas e pescoço;
  • Agitação incomum;
  • Ofegação excessiva;
  • Salivação abundante;
  • Vômitos;
  • Tremores;
  • Erupções na pele;
  • Queda na pressão arterial;
  • Dificuldade para respirar ou ruídos ao respirar;
  • Batimentos cardíacos lentos;
  • Língua ou mucosas arroxeadas.

Se notar qualquer um desses sinais, vá imediatamente ao veterinário. Reações alérgicas graves precisam de atendimento urgente e, quanto mais rápido forem tratadas, menores os riscos ao animal.

Adotei um animal, mas não sei se ele foi vacinado. O que devo fazer?

Essa é uma situação muito comum, e o melhor a fazer é levar o pet ao veterinário assim que possível. O profissional fará um exame clínico e montará um novo plano de vacinação com base na idade, histórico conhecido (se houver) e estado de saúde do animal.

De maneira geral, não há problema em aplicar novamente as vacinas, caso não haja certeza de que foram feitas. Repetir uma dose de vacina, em um animal saudável, é mais seguro do que correr o risco de deixá-lo desprotegido.

O importante é garantir que o seu novo amigo receba todos os cuidados necessários para ter um recomeço de vida com saúde e segurança.

Compartilhe!