Se você convive com um cão ou gato, saber o que é zoonose é uma questão de cuidado real. As zoonoses são doenças que passam de animais para humanos (e vice-versa), e embora possa soar distante ou improvável, na prática, elas estão mais presentes no nosso cotidiano do que se imagina.
Não são raros os casos de tutores surpresos ao descobrir que aquele “probleminha de pele”, uma diarreia persistente ou uma febre misteriosa no pet são sinais de zoonoses. O desafio maior é que, quando a prevenção falha, essas doenças costumam custar caro — emocional e financeiramente. Por isso, a informação e o cuidado contínuo são as melhores formas de proteção.
No artigo de hoje, vamos explicar o que é zoonose, quais são os tipos de zoonoses mais comuns e as que mais afetam cães e gatos. Você vai entender como essas doenças são transmitidas, o que observar no seu pet e, principalmente, como prevenir. Vamos em frente, porque saúde também se protege com conhecimento.
O que é zoonose?
Zoonose é o nome dado às doenças que são naturalmente transmissíveis entre animais e seres humanos. Isso significa que, sim, o seu pet pode ser vítima ou vetor de doenças que afetam a saúde humana, assim como pode acontecer o contrário.
Algumas zoonoses são causadas por vírus, outras por bactérias, parasitas ou fungos, com consequências leves ou bastante graves, a depender do agente envolvido e da resposta do organismo. É importante entender que essas doenças não são todas iguais:
- Antropozoonoses: têm origem nos animais e podem ser transmitidas aos humanos, como a leptospirose e a raiva, por exemplo;
- Zooantroponoses: têm origem nos humanos e são transmitidas para os animais, como a tuberculose, COVID 19 e gripe suína.
Para ter uma ideia da dimensão do problema, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam mais de 200 tipos de zoonoses em circulação no mundo, e elas representam mais de 60% das doenças infecciosas que afetam os humanos.
Só no Brasil, de acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado em junho de 2025, foram 472.790 casos de zoonoses registrados entre 2007 e 2023, com uma média anual de 27.811. No mesmo período, 139.987 pessoas morreram em decorrência dessas doenças.
Com números assim, dá para entender por que o controle de zoonoses é tema de saúde pública e por que o tutor tem um papel fundamental nesse cuidado, concorda?
Como as zoonoses são transmitidas?
Os diferentes tipos de zoonoses estão mais presentes no nosso dia a dia do que muitos tutores imaginam. Do simples contato com o animal ao ambiente em que ele vive, há diversas situações comuns que favorecem a transmissão dessas doenças.
De forma geral, as zoonoses são transmitidas de duas formas principais:
Transmissão direta
A transmissão direta ocorre quando há contato físico com o animal infectado, por meio de mordidas, arranhões, secreções (saliva, urina, fezes, sangue) ou até pela manipulação de objetos contaminados, como potes, cobertores ou brinquedos.
Um exemplo clássico é o contato com fezes de gatos infectados pelo parasita da toxoplasmose, ou com a saliva de um cão portador da raiva.
Transmissão indireta
A transmissão indireta envolve os chamados vetores, que geralmente são insetos, como mosquitos, pulgas ou carrapatos. Esses parasitas picam um animal infectado, carregam o agente causador da zoonose, e depois o transmitem a outro hospedeiro.
É o que acontece em alguns dos principais tipos de zoonoses, como a leishmaniose (transmitida pelo mosquito-palha) ou a febre maculosa (transmitida por carrapatos).
Há ainda formas menos visíveis de contaminação, como a inalação de partículas com fungos e bactérias presentes no ambiente, ou a ingestão de água e alimentos contaminados, bastante comum em zoonoses parasitárias, como a giardíase e a teníase.
Por isso, o ideal é manter uma rotina de cuidados que envolva controle de vetores, vacinação, vermifugação, boa higiene e acompanhamento veterinário. Com essas medidas, você protege a saúde do seu pet e reduz o risco de contágio para toda a família.
Quais os principais tipos de zoonose que afetam cães e gatos?
Quando pensamos sobre o que é zoonose, é comum relacionar com doenças graves e raras, mas a realidade é que muitos tutores convivem com riscos reais sem perceber. Algumas das zoonoses mais frequentes em cães e gatos estão dentro de casa, e muitas vezes passam despercebidas até que os sintomas apareçam no pet ou em alguém da família.
Por isso, é fundamental conhecer quais os principais tipos de zoonoses que afetam os animais de companhia. A seguir, vamos falar com mais detalhes sobre algumas das zoonoses mais comuns em cães e gatos: como elas são transmitidas, quais os sinais de alerta e o que fazer para evitá-las.
1. Sarna (escabiose)
A sarna, também chamada de escabiose, é uma zoonose de pele causada por ácaros que se alojam nas camadas superficiais da pele dos animais. Em cães, o tipo mais comum é a sarna sarcóptica, altamente contagiosa e transmitida para humanos através do contato direto com o pet infectado.
Os primeiros sinais costumam ser coceira intensa, vermelhidão, queda de pelos e formação de crostas na pele, especialmente nas orelhas, patas, barriga e região do focinho. Quando não tratada, a sarna se espalha pelo corpo do animal e causa infecções secundárias.
Se você suspeita que seu cão está com sarna, o ideal é procurar orientação veterinária o quanto antes. O diagnóstico e o tratamento são simples na maioria dos casos, e quanto mais cedo forem iniciados, menor o risco de transmissão e complicações.
Leia o conteúdo completo sobre o tema que preparamos aqui no blog: Tratamentos para sarna em pets: como proteger e evitar a transmissão.
2. Leptospirose e Leptospirose Canina
A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada pela bactéria Leptospira spp., presente principalmente na urina de roedores. A contaminação ocorre em áreas alagadas, poças de água e também em locais com acúmulo de lixo, e tanto humanos quanto cães estão expostos a esse risco.
A leptospirose canina se manifesta com febre, vômito, dor muscular, icterícia, comprometimento renal e hepático. Em humanos, os sintomas são parecidos e podem evoluir para quadros graves se não tratados rapidamente. Essa é uma das zoonoses mais comuns em centros urbanos, sobretudo em épocas de chuvas e enchentes.
A vacinação anual e o controle de zoonoses no ambiente são as principais formas de prevenção. Evitar que o pet tenha contato com água parada, lixo e esgoto também é indispensável. Se houver suspeita da doença, a orientação veterinária deve ser imediata. Para saber mais sobre a leptospirose, acesse nosso conteúdo sobre o tema.
3. Leishmaniose
A leishmaniose é uma zoonose parasitária grave, causada pelo protozoário Leishmania, transmitido ao cão ou ao ser humano pela picada do mosquito-palha (Lutzomyia).
Existem duas formas principais da doença:
- Leishmaniose cutânea, que causa feridas na pele;
- Leishmaniose visceral (calazar), que pode afetar órgãos internos e levar à morte.
Nos cães, os sinais incluem perda de peso, feridas que não cicatrizam, crescimento exagerado das unhas e apatia. Humanos infectados também apresentam lesões de pele, febre prolongada, aumento do baço e fígado, entre outros sintomas.
Essa é uma das zoonoses de maior impacto no Brasil, e o cuidado com a prevenção faz toda a diferença. O uso de coleiras repelentes, vacinação e o acompanhamento veterinário regular são fundamentais. Leia o conteúdo completo sobre leishmaniose aqui no blog.
4. Giardíase
A giardíase é uma zoonose intestinal causada pelo protozoário Giardia duodenalis. A infecção acontece principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos do parasita, algo comum em ambientes com pouca higiene ou alta circulação de animais.
Nos cães, os principais sintomas são diarreia (às vezes com muco), dor abdominal, perda de apetite e desidratação. Muitos animais podem ser portadores assintomáticos, mas ainda assim transmitir a doença. Humanos infectados pela giárdia também desenvolvem sintomas gastrointestinais semelhantes.
Como a transmissão é fecal-oral, a higiene do ambiente, a limpeza adequada dos espaços em que o pet circula e o uso de vermífugos fazem parte do controle de zoonoses nesse caso. Saiba mais sobre a giárdia canina.
5. Toxoplasmose
A toxoplasmose é uma zoonose causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, comumente associada aos gatos, que são os hospedeiros definitivos do parasita. A contaminação humana acontece principalmente pelo contato com fezes contaminadas ou pelo consumo de água e alimentos mal higienizados.
Quando infectados, os gatos dificilmente apresentam sintomas, mas eliminam oocistos do parasita pelas fezes. Em humanos, a doença também pode passar despercebida, mas é perigosa em gestantes e pessoas imunossuprimidas. Os cães também podem se infectar, mas não eliminam oocistos, e por isso não transmitem a doença diretamente.
A melhor forma de prevenção é manter a caixa de areia sempre limpa, higienizar bem os alimentos e lavar as mãos após o manuseio de objetos e ambientes usados pelo pet. Essa é uma das zoonoses parasitárias mais discutidas quando se fala em saúde pública ligada a felinos.
6. Esporotricose
A esporotricose é uma zoonose fúngica transmitida por arranhões, mordidas ou contato direto com secreções de gatos infectados pelo fungo Sporothrix schenckii. Embora também possa ser contraída pelo contato com o solo ou materiais orgânicos contaminados, a forma mais comum é pela interação direta com felinos, em especial quando vivem soltos e têm acesso à rua.
Nos gatos, a esporotricose provoca feridas profundas, geralmente no rosto, nas patas ou na cauda, que demoram a cicatrizar. Já em humanos, a doença se manifesta com lesões na pele, que podem evoluir para formas mais graves em pessoas com baixa imunidade.
Essa é uma das zoonoses mais preocupantes em áreas urbanas, devido ao aumento dos casos em gatos de vida livre. Saiba tudo sobre esporotricose em gatos neste artigo da World Veterinária.
7. Raiva
Quando se pensa sobre o que são zoonoses virais, a raiva desponta como a mais conhecida (e temida). Causada por um vírus que ataca o sistema nervoso central, ela é transmitida por mordidas, arranhões e contato com a saliva de animais infectados – como cães, gatos, morcegos e outros mamíferos.
Nos pets, os sintomas incluem agressividade, salivação excessiva, confusão mental e paralisia. Em humanos, a doença é fatal se não for tratada imediatamente após a exposição. A raiva é 100% evitável com a vacinação, mas ainda hoje causa mortes no Brasil.
Por isso, manter a vacina antirrábica do seu pet em dia é mais que um cuidado: é uma responsabilidade com a saúde de todos ao redor. Veja por que a vacinação contra a raiva é tão importante.
Como tratar e fazer controle de zoonose?
Quando se trata de zoonose, a melhor abordagem sempre será a prevenção. Mas, nos casos em que a doença já está presente, o diagnóstico precoce e o tratamento correto são fundamentais para conter a transmissão e preservar a saúde de todos.
O controle de zoonoses começa em casa, com medidas simples:
- Manter a vacinação do pet em dia;
- Realizar vermifugação periódica;
- Aplicar antiparasitários;
- Higienizar os ambientes;
- Evitar o contato do animal com locais contaminados.
A visita regular ao médico-veterinário também é importante para identificar sinais precoces de doenças e orientar sobre os tipos de zoonoses mais comuns na sua região.
É preciso reforçar ainda que nem toda zoonose é transmitida por cães e gatos. Doenças como dengue, febre amarela, zika, malária e doença de Chagas também são zoonoses, mas causadas por vetores como mosquitos e barbeiros.
Então, além dos cuidados com os pets, é preciso manter o ambiente limpo, sem acúmulo de água ou lixo, e estar sempre atento às campanhas de saúde pública promovidas pelo seu município.
Mantenha seu pet protegido com a World Veterinária!
O cuidado com as zoonoses começa no dia a dia, e a boa notícia é que existem produtos acessíveis e eficazes que ajudam muito na prevenção. Aqui na World Veterinária, oferecemos uma linha completa para prevenir alguns dos principais tipos de zoonoses:
- Vermífugos: eliminam vermes intestinais com segurança e evite zoonoses parasitárias como giardíase e toxocaríase;
- Antiparasitários (shampoos, coleiras, pipetas, comprimidos): protegem o seu pet contra pulgas, carrapatos e mosquitos, que são transmissores de doenças como leishmaniose, febre maculosa e raiva;
- Dermatológicos: tratam as doenças de pele como a sarna (escabiose), com produtos tópicos, shampoos e loções que combatem o problema e reduzem a transmissão.
Com os produtos certos e o acompanhamento de um veterinário, você mantém o seu pet saudável e ainda contribui com a saúde da sua casa e da sua comunidade. Acesse agora nossa linha completa de produtos e veja como é fácil transformar o cuidado em proteção real.
Perguntas frequentes sobre zoonoses
Nesta seção, reunimos as perguntas mais frequentes sobre o tema para te ajudar a entender melhor os riscos, as formas de prevenção e o seu papel no controle de zoonoses.
Humanos podem transmitir zoonoses?
Sim. Embora o mais comum seja ouvir sobre doenças que passam de animais para humanos, o caminho inverso também acontece. Algumas zoonoses são chamadas de zooantroponoses, ou seja, doenças que têm origem em humanos e que também são transmitidas aos animais.
Um exemplo claro e recente foi o SARS-CoV-2 (vírus da COVID-19), que infectou animais domésticos como cães, gatos e até grandes felinos em zoológicos. Outras doenças como tuberculose, gripe e herpes tipo 1 também já foram identificadas em animais, com origem provável em seus tutores humanos.
Qual é a zoonose mais comum no Brasil?
Quando falamos em quais os principais tipos de zoonoses no Brasil, a resposta pode surpreender: as mais comuns são aquelas transmitidas pelos insetos.
A mais prevalente de todas é a dengue, uma zoonose viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Apesar de não estar diretamente ligada aos pets, ela é considerada uma zoonose de grande impacto na saúde pública, por afetar milhões de brasileiros todos os anos.
Além dela, também fazem parte dessa categoria outras doenças como zika, chikungunya, febre amarela e a doença de Chagas, que continua presente em algumas regiões do país.
O que é uma zoonose emergente?
As zoonoses emergentes são aquelas doenças causadas por um agente infeccioso recém-identificado ou que apresentaram expansão importante em sua área de ocorrência, número de hospedeiros ou de vetores.
As zoonoses reemergentes, por sua vez, são aquelas que já eram conhecidas, mas que voltam a representar ameaça após um período de controle, seja pelo aumento de casos, mudança de comportamento do agente infeccioso ou expansão para novas regiões.