Você limpa o quintal todos os dias, mas parece que parte do “serviço” some misteriosamente. Até que um dia flagra o seu cachorro comendo o cocô. A primeira reação é de espanto (para dizer o mínimo!), mas logo depois também bate a dúvida: o que fazer para o cachorro parar de comer fezes?
Apesar de parecer um hábito sem sentido, a coprofagia costuma ter uma lógica bem clara para o animal. E muitas vezes, o que chamamos de “nojeira” é só um reflexo de alguma falha no ambiente, na alimentação ou no vínculo com o tutor. Mais do que uma curiosidade esquisita, o comportamento é um sinal de que algo precisa mudar.
Neste guia, vamos explicar por que cachorros comem fezes, quais são as raças mais propensas, como curar cachorro que come fezes, quais estratégias realmente funcionam (e quais atrapalham) e quando vale considerar o uso de remédio. Se o seu cão está nessa fase, continue lendo!
Por que cachorros comem fezes?
Mesmo com uma boa alimentação e todos os cuidados, alguns cães desenvolvem o hábito de comer fezes. O comportamento é conhecido como coprofagia e muitas vezes faz total sentido para o cão.
Os filhotes, por exemplo, aprendem a explorar o mundo com a boca. Nesse processo, é comum que acabem ingerindo fezes próprias ou de outros animais. Já as mães, instintivamente, consomem os dejetos dos filhotes nas primeiras semanas para manter o ambiente limpo. Esses comportamentos fazem parte da natureza da espécie e, em alguns casos, acabam se estendendo além do esperado.
A pergunta que realmente importa é: por que o meu cachorro continua comendo cocô? Em cães adultos, a conduta geralmente está relacionada a três fatores:
- Nutricionais;
- Comportamentais;
- Associativos.
Em qualquer um desses cenários, é necessário entender o contexto para saber como corrigir o problema de forma eficaz e sem punições desnecessárias.
10 raças mais propensas à coprofagia canina
Embora qualquer cão possa desenvolver o hábito de ingerir fezes, algumas raças apresentam uma predisposição maior, relacionada ao porte, à genética, ao nível de energia ou à sensibilidade emocional — fatores que influenciam na tendência comportamental do animal.
Entre os cachorros que comem cocô com mais frequência, destacam-se principalmente os de pequeno porte. São raças que costumam passar mais tempo dentro de casa ou em ambientes confinados, favorecendo o surgimento da conduta, sobretudo quando há tédio ou carência afetiva.
As raças mais propensas são:
- Shih-Tzu;
- Lhasa Apso;
- Yorkshire Terrier;
- Spitz Alemão;
- Maltês;
- Pug;
- Dachshund (salsicha);
- Chihuahua;
- Pequinês;
- Pinscher.
Vale lembrar que os cães de raças grandes não estão imunes. Labrador Retriever, Golden Retriever, Border Collie e Pastor Alemão são exemplos de cães que, quando submetidos a dietas desequilibradas ou ambientes pouco estimulantes, também apresentam esse tipo de atitude. Por isso, mais importante do que a raça, é observar o perfil do animal e o seu contexto de vida.
Cachorro comendo cocô: quais são as causas?
Nem sempre é fácil entender por que o cachorro começou a ingerir fezes. As causas podem ser físicas, emocionais ou até mesmo fruto do instinto. Abaixo, listamos as principais causas associadas à coprofagia canina:
- Deficiências nutricionais: quando o organismo não está absorvendo corretamente os nutrientes da alimentação ou quando a dieta é pobre em proteínas e vitaminas;
- Infestação por vermes: parasitas intestinais consomem parte dos nutrientes do alimento, o que pode levar o cão a buscar “suplementação” nas próprias fezes;
- Fome ou restrição alimentar: dietas muito controladas ou pouca oferta de comida ao longo do dia;
- Estresse e ansiedade: mudanças de rotina, ausência prolongada do tutor, ruídos constantes e conflitos com outros animais;
- Falta de estímulos: tédio, confinamento em ambientes pequenos e escassez de atividades físicas ou mentais;
- Busca por atenção: o cão percebe que comer fezes gera uma reação do tutor (mesmo que negativa) e passa a repetir a ação;
- Limpeza do ambiente: alguns cães tentam “limpar” o local onde fizeram cocô, especialmente se já foram repreendidos por errar o lugar.
Identificar a causa com precisão é o primeiro passo para corrigir o problema da forma certa. E vale lembrar: quanto antes for feito o diagnóstico, mais rápido e eficaz será o tratamento.
O que fazer para o cachorro parar de comer fezes? 6 dicas eficazes
Saber o que fazer para o cachorro parar de comer fezes começa com um questionamento importante: o que está motivando esse comportamento? Sem essa resposta, qualquer solução é apenas paliativa. Com observação, paciência e estratégia, é possível reverter o hábito de forma duradoura, sem punir ou causar medo no pet.
Antes de tudo, vale reforçar que a coprofagia não é “manha”, nem motivo para sermão. Por isso, as ações corretas vão além da limpeza rápida do ambiente. Pelo contrário, em alguns casos, fazer isso pode até reforçar o comportamento.
1. Recompense o bom comportamento
Sempre que o cachorro fizer cocô no lugar certo, ofereça um petisco ou carinho para reforçar a associação positiva e fazer com que ele se sinta seguro em defecar na sua presença. As broncas e repreensões frequentes, por outro lado, acabam levando o cão a tentar esconder o “erro” comendo as próprias fezes.
2. Evite recolher as fezes na frente do animal
Parece contraditório, mas recolher o cocô imediatamente pode aumentar o interesse do cachorro pelas fezes. Isso porque o tutor, sem querer, acaba demonstrando que aquele objeto tem valor.
A sugestão é atrair o animal com uma recompensa logo após a evacuação e, enquanto ele estiver distraído, borrifar um produto de gosto amargo nas fezes, como gengibre em pó, antes de removê-las com calma.
3. Ajuste a alimentação com ajuda veterinária
Uma dieta pobre em nutrientes ou mal adaptada ao porte, idade e estilo de vida do pet também pode levar à coprofagia. Se o cão está comendo cocô por instinto nutricional, ele precisa de um cardápio mais equilibrado. Avalie com um médico-veterinário a possibilidade de trocar a ração, adotar uma alimentação natural ou incluir suplementos.
4. Crie uma rotina mais estimulante
Cachorros que comem cocô muitas vezes estão entediados. Passeios regulares, brinquedos interativos, enriquecimento ambiental e exercícios físicos ajudam a manter o animal mentalmente ativo e reduzem as condutas compulsivas.
Experimente deixar petiscos escondidos pela casa, por exemplo, para transformar a solidão em uma atividade de “caça”.
5. Regule os horários das refeições
Cães que comem fezes logo após defecar podem estar tentando “reaproveitar” o alimento mal digerido. Ter horários fixos de alimentação ajuda a prever quando o cocô vai acontecer e, assim, acompanhar e agir com mais eficácia. Quando são alimentados livremente ao longo do dia, eles têm mais chances de desenvolver esse tipo de hábito.
6. Use produtos de sabor desagradável
Hoje existem produtos específicos para cães com coprofagia que tornam as fezes menos atrativas. São soluções em pó e comprimidos que alteram o odor e sabor das fezes após a digestão. O uso deve ser orientado por um veterinário e, em geral, funciona melhor quando combinado a mudanças no ambiente e na rotina.
Dica final: mantenha a vermifugação em dia
Muitos tutores se concentram apenas no adestramento e na alimentação quando enfrentam casos de coprofagia. Mas existe um ponto muitas vezes negligenciado e que pode ser a chave para resolver o problema pela raiz: a vermifugação, como um remédio para o cachorro parar de comer fezes.
Em cães infestados por vermes, os parasitas intestinais passam a competir diretamente com o animal pelos nutrientes do alimento. O resultado é que, mesmo comendo bem, o cão não consegue absorver o que precisa. E, como consequência, começa a buscar esses nutrientes nas próprias fezes em uma tentativa instintiva de “repor” o que o corpo está perdendo. Esse é um dos motivos mais comuns para cachorros que comem cocô, principalmente quando o comportamento surge de forma repentina em animais adultos.
A boa notícia é que, se a vermifugação estiver em dia, você já consegue descartar essa hipótese e focar em outras possíveis causas. Por isso, manter o protocolo antiparasitário regular é mais do que uma medida preventiva: é parte do diagnóstico.
Para isso, conte com o VermiCanis Plus da World Veterinária, um vermífugo de amplo espectro que atua contra vermes redondos (nematódeos) e chatos (cestódeos), tanto em suas formas larvais quanto adultas. A administração é feita em dose única, sem necessidade de jejum ou mudanças na rotina do animal, e os comprimidos podem ser partidos para ajuste de dosagem.
Além de proteger seu pet, a vermifugação também é uma questão de saúde pública, já que muitos dos parasitas presentes nas fezes são transmitidos para humanos. O ideal é que animais adultos sejam vermifugados a cada três meses, com atenção especial às fêmeas gestantes ou no pós-parto. Em casos de reinfestações, como as causadas pelo Dipylidium caninum, também é necessário combater as pulgas, que atuam como hospedeiros intermediários.
Se o seu pet apresenta coprofagia, e você ainda não atualizou a vermifugação, converse com um médico-veterinário e considere incluir o VermiCanis como parte da sua rotina de cuidados.
Perguntas frequentes sobre cachorro comendo fezes
Agora que você já conhece as possíveis causas e o que fazer para lidar com esse hábito, é hora de tirar as dúvidas mais comuns entre tutores de cachorros que comem fezes. A seguir, respondemos às perguntas que mais aparecem nas consultas veterinárias e nas buscas online sobre coprofagia.
Quais raças são mais propensas à coprofagia?
Algumas raças têm maior predisposição a desenvolver esse tipo de conduta, em especial as de pequeno porte. Não significa que o comportamento seja inevitável, mas sim que os tutores devam ficar mais atentos ao ambiente, à alimentação e ao nível de estímulo oferecido ao pet.
Raças com maior tendência à coprofagia:
- Shih-Tzu;
- Yorkshire Terrier;
- Spitz Alemão;
- Lhasa Apso;
- Maltês;
- Pug;
- Dachshund;
- Chihuahua;
- Pinscher;
- Pequinês.
Entre as raças de médio e grande porte, também podem ocorrer casos em Labradores, Golden Retrievers, Border Collies, Pastores Alemães e Samoiedas.
Cachorro comendo cocô é sinal de verme?
A coprofagia pode, sim, ser causada pela infestação de vermes intestinais, mas esta não é a única razão. Observe se o cão apresenta perda de peso, apetite aumentado e fezes com aspecto anormal. Se o seu cachorro começou a comer cocô de forma repentina ou sem explicação aparente, verifique se a vermifugação está atualizada.
O que pode causar coprofagia em cães?
A coprofagia tem várias origens, e muitas vezes é resultado de uma combinação de fatores. Entre os mais comuns estão a falta de nutrientes, o tédio, a ansiedade, o isolamento, o estresse e a busca por atenção. Em alguns casos, o cão aprende que comer fezes gera uma reação do tutor, e passa a repetir o comportamento como uma forma de interação.
Além disso, erros no manejo, como condutas corretivas após o cão defecar no lugar errado, também podem gerar o hábito. Isso porque, o animal passa a comer fezes para “esconder” o que fez e evitar o sermão. Por isso, o ideal é focar em práticas educativas baseadas em recompensa e estímulo positivo.